É curioso observar como, em João Monlevade, alguns vereadores da base resolveram, mais uma vez, vestir a fantasia de juízes da eficiência alheia. Subiram à tribuna, estufaram o peito, empunharam o verbo fácil e dispararam: “O setor de trânsito é medíocre!” Mas será mesmo?
Mediocridade, senhores, não mora no Settran. O que mora lá é a falta de autonomia, a ausência de liberdade técnica e operacional. Mediocridade, talvez, resida na preguiça de entender como as estruturas públicas funcionam — ou não funcionam.
O Settran é composto por servidores capacitados, sérios, que muitas vezes fazem milagre com o pouco que têm. Mas seus braços estão amarrados por uma estrutura que obriga quem entende de trânsito e mobilidade a pedir bênção para secretário que, quando muito, sabe a diferença entre um semáforo e um quebra-molas. E olhe lá.
A pergunta que não quer calar é: por que o setor de trânsito ainda é um apêndice da Secretaria de Serviços Urbanos? Que lógica é essa, senhores vereadores, que mantém um setor técnico e vital para a cidade subordinado a quem não entende patavinas de mobilidade? Se é para criticar, que se critique com responsabilidade. Porque criticar é fácil. Difícil é ter coragem para enfrentar a estrutura e propor solução. E, justiça seja feita, há quem tente.
O presidente da Câmara, por exemplo, acerta quando defende um projeto que tira as carretas e caminhões da área central. Coragem rara, convenhamos. Enquanto isso, outros se contentam em apontar o dedo, sem olhar no espelho. Fingem não saber que, com os pedágios batendo à porta da BR-381, o trânsito interno da cidade vai piorar e muito. Motoristas fugindo dos pedágios vão transformar nossas ruas em atalho. Some-se a isso a explosão do tráfego pesado que vem com a mineração que se instala no município, e teremos um caos anunciado. Portanto, não.
Repito aqui. O problema não é o Settran. O problema é a falta de visão, de planejamento e, sobretudo, de autonomia. Está mais do que na hora de transformar o Settran em uma autarquia, ou, no mínimo, em uma secretaria independente, com orçamento próprio e técnicos que não precisem ajoelhar-se para pedir permissão a quem não entende do riscado.
Criticar sem apontar solução é fácil. É confortável. É hipocrisia pura, embrulhada em discursos vazios e palmas de ocasião. Se querem, de fato, resolver o trânsito de João Monlevade, comecem dando ao Settran o respeito e a independência que ele merece. O resto é barulho. E, convenhamos, barulho não organiza trânsito de ninguém.
Gladevon Costa é graduado em Jornalismo, Direito e Pedagogia.
























