Nos últimos anos, temos visto um aumento nas discussões sobre educação antirracista e o protagonismo negro. O que acontece atualmente em diversos campos sociais é resultado de lutas antirracistas que começaram antes da Lei Áurea (Nº 3.353, de 13 de maio de 1888).
Nossas terras não trazem apenas a dor do sangue derramado das pessoas escravizadas, mas também a resistência de homens e mulheres que se opuseram ao violento sistema que afetou nossos ancestrais. No entanto, o que aprendemos ao longo dos anos sobre a liberdade trazida pela Princesa Isabel é, na verdade, uma narrativa distorcida.
A Lei Áurea não representa um ato de benevolência real. O Brasil foi o último país a abolir a escravidão sob forte pressão internacional, e o movimento abolicionista já estava lutando por essa liberdade muito antes da referida lei. A realeza falhou em garantir condições de vida dignas para os ex-escravizados, que foram marginalizados e empurrados para comunidades de baixa visibilidade.
Hoje, a presença de pessoas negras em postos de comando continua a ser rara, perpetuando a ideia de que o branco é benevolente. Essa narrativa reduz a diversidade de habilidades e contribuições da população negra a meros estereótipos.
É necessário recontar nossa história e lembrar que temos figuras como Zumbi dos Palmares e Dandara que lutaram por direitos e dignidade no passado. Catorze anos após a implementação da lei 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, a luta pela equidade continua sendo urgente.
A imagem da Princesa Isabel não representa o vigor e a resistência do povo negro. Precisamos reconhecer que somos descendentes de uma rica história de líderes e lutadores. ⠀
























